MONOGRAFIA: Ivermectina

Status: v4.3 | Última Atualização: 10-02-2026

Leitura irmã do M5: Desparasitação (HUB): /saude.opensource/pt/docs/modulos/desparasitacao/


📌 TL;DR

Ivermectina é uma ferramenta farmacológica central para desparasitação (e, em alguns contextos, redução de carga microbiana/biofilme). Ela funciona melhor quando:

  • você calcula dose por peso (padrão clássico: 200 mcg/kg);
  • usa timing lunar (Lua Nova + Lua Cheia) para reduzir recidiva;
  • dá suporte ao corpo para lidar com die-off/Herxheimer;
  • respeita contraindicações e interações (principalmente polifarmácia).

Atalho prático (adultos):

  • Dose base: ~ 1 comprimido de 6 mg por 30 kg (≈ 200 mcg/kg).
  • Protocolo lunar (mensal): dose por 2 dias na Lua Nova + dose por 2 dias na Lua Cheia (casos graves podem estender para 3 dias).

⚠️ Avisos e contraindicações (leia antes)

Este conteúdo é educacional. Se você usa medicamentos, tem doença hepática/renal, está grávida/amamentando, ou tem histórico neurológico, faça com supervisão.

Contraindicações / alto risco (prático)

  • Crianças < 15 kg: não usar sem pediatria.
  • Gestação e lactação: assunto não-trivial; decidir caso a caso com médico.
  • Hepatopatia importante / etilismo ativo: maior risco de intolerância.
  • Polifarmácia (principalmente anticoagulantes, depressores de SNC): risco de eventos.

Interações (mapa rápido)

  • Depressores do SNC + álcool: pode potencializar sedação/tontura.
  • Anticoagulantes (ex.: varfarina): monitorar risco de sangramento.
  • Metabolismo: via CYP3A4 (atenção a moduladores fortes).

Se você tem dúvida de interação, use a Matriz de Interações: /saude.opensource/pt/docs/ferramentas/matriz_interacoes/


💡 Farmacologia essencial (o que importa)

Farmacocinética (pontos úteis)

  • Absorção: aumenta com refeição lipídica.
  • Distribuição: lipofílica (tecido adiposo, fígado; efeito residual).
  • Metabolismo: principalmente CYP3A4.
  • Meia-vida: ~16–18 h (efeito pode se estender além disso).
  • Excreção: predominantemente fecal (com ciclo entero-hepático).

Mecanismos (versão de trabalho)

  • Antiparasitário: paralisia/morte por ação em canais de cloro (alvos do parasita).
  • “Ecologia do terreno”: redução de carga parasitária pode destravar cascatas inflamatórias e digestivas em alguns perfis.

🌙 Protocolo Lunar de Desparasitação (visão + prática)

Por que lunar?

O objetivo é sincronizar o “ataque” farmacológico com janelas de maior vulnerabilidade/atividade parasitária (Lua Nova e Cheia) e usar as fases intermediárias para suporte e reconstrução.

As 4 fases (28 dias)

  • Lua Nova (Dias 0–3): primeira dose (organismo em “reset”).
  • Lua Crescente (Dias 4–13): suporte detox + manejo de sintomas.
  • Lua Cheia (Dias 14–17): segunda dose (pico de atividade).
  • Lua Minguante (Dias 18–28): eliminação/reparo/recolonização.

Mês 1 — Ataque

  • Lua Nova (Dia 1–2): ivermectina (dose por peso) por 2 dias
  • Dias 4–13: suporte (hidratação, minerais, dieta, sono)
  • Lua Cheia (Dia 14–15): ivermectina por 2 dias
  • Dias 17–28: reconstrução (intestino, sono, terreno)

Mês 2 e 3 — Consolidação

  • repetir o mesmo desenho (ajustar conforme resposta)

Manutenção (trimestral, para quem faz sentido)

  • 1 dose “âncora” em Lua Cheia (com critério; não é regra universal)

Calendário lunar 2026 fica centralizado no M5 (HUB): /saude.opensource/pt/docs/modulos/desparasitacao/


📋 Posologia (tabelas práticas)

Regra-base (clássica)

  • 200 mcg/kg (0,2 mg/kg) dose única (muitos protocolos repetem por 2 dias).
  • Em contextos específicos existem usos off-label (300–400 mcg/kg), mas isso sai do “safe default”.

Conversão rápida (comprimidos 6 mg)

Peso corporal (kg)Comprimidos (6 mg)Observação
15–24½uso típico apenas ≥15 kg
24–351
36–50
51–652
66–79
>803

Tabela (base 200 mcg/kg)

Peso (kg)Equivalência em comp. 6 mg
30–391
40–49
50–692
70–79
80–893
90–99
>1004+

Notas práticas

  • Arredondamentos e exceções fazem diferença em idosos/polimedicados.
  • Preferir após refeição quando o objetivo é maximizar absorção.

🧬 Nutrição e suporte anti-parasitário (entre ciclos)

Sem suporte, a chance de “virar sofrimento” aumenta.

  • Hidratação + eletrólitos (sal integral, água)
  • Minerais estruturais (magnésio, bicarbonato — conforme tolerância)
  • Oxigenação / terreno (luz solar, sono, movimento)
  • Fitoterapia alimentar (alho, sementes de abóbora, amargos; “sustentação”)
  • Intestino: se o intestino colapsa, tudo piora (ver M4)

Links úteis:

  • M4: Intestino: /saude.opensource/pt/docs/modulos/intestino/
  • Protocolo de emergência (reações): /saude.opensource/pt/docs/ferramentas/protocolo_emergencia/

🚨 Red flags (pare e reavalie)

  • reação alérgica importante (urticária extensa, falta de ar, edema)
  • confusão mental marcada, sintomas neurológicos progressivos
  • febre alta persistente + piora sistêmica
  • sinais de sangramento (principalmente se usa anticoagulantes)

Se estiver em dúvida, trate como urgência clínica.


📊 Monitoramento (simples e eficaz)

Antes e depois de cada ciclo (D0, D7, D14, D21, D28):

  • Energia (0–10)
  • Digestão (0–10)
  • Sono (0–10)
  • Clareza mental (0–10)
  • Pele/prurido (0–10)

📖 Referências (curadoria mínima)

  • Omura S. et al. Ivermectin: 25 years of clinical use.
  • Crump A. (2017). Ivermectin: multifaceted ‘wonder’ drug.
  • González Canga A. et al. (2008). Pharmacokinetics and interactions of ivermectin.

🔗 Navegação

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